A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, que foi a primeira aprovada do Brasil em cota quilombola no concurso público para admissão à carreira de diplomata, sonha em ser embaixadora um dia, segundo a Universidade Federal de Goiás (UFG). Helen faz parte da comunidade quilombola do Retiro, que fica em Simolândia, na região nordeste de Goiás, e falou sobre a honra de representar a categoria neste espaço.
Com a aprovação, Helen precisará fazer um Curso de Formação de Diplomatas, com duração de três a quatro meses, para ocupar o primeiro cargo da diplomacia: o de terceiro-secretário. Os aprovados recebem salário inicial bruto de R$ 22,5 mil.
À UFG, ela disse que ficaria muito feliz se chegasse ao posto mais alto da diplomacia um dia, o de embaixadora, mas que no geral, quer ser uma boa diplomata.
Ao g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que este foi o primeiro concurso para a carreira na diplomacia realizado sob a vigência da nova lei de cotas, que estabelece reserva de vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.
Investimento na Educação
Helen é ex-aluna da UFG e se formou em Relações Internacionais. A possibilidade de seguir carreira na diplomacia foi apresentada por um professor, durante a preparação para o vestibular.
Durante a graduação, ela se distanciou da área, mas voltou a se interessar depois de cursar uma disciplina de Política Externa Brasileira. A jovem se formou em 2025 e voltou para Simolândia para se preparar para o concurso.
Morando no interior, ela conta que precisou estudar por conta própria todo o conteúdo que não era básico, pois não tinha acesso a ensino especializado. Apesar das dificuldades, o esforço valeu a pena e ela foi aprovada na única vaga reservada a candidatos quilombolas no concurso.
Como funciona o concurso para diplomata?
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Palácio do Itamaraty recebe iluminação em homenagem ao Orgulho LGBTQIA+ — Foto: Divulgação/Palácio do Itamaraty
O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é realizado pelo Instituto Rio Branco, a academia diplomática brasileira subordinada ao Ministério das Relações Exteriores. O concurso é considerado um dos mais difíceis e concorridos do país e exige conhecimento em várias áreas.
Pode participar do concurso qualquer brasileiro com formação superior. A seleção é dividida em uma etapa com prova objetiva e outra dissertativa. Nos exames, são avaliados oito disciplinas como História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito.